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domingo, 4 de julho de 2010


“Sangue Azul – morte e corrupção na PM do Rio”


Livro denuncia envolvimento da Polícia Militar carioca com o crime e o tráfico


Da redação - 19/11/2009 - 10:54


DIVULGAÇÃO


Livro mostra a outra face da Polícia Militar

Quem se impressionou com “Tropa de Elite”, o filme, vai se chocar agora, definitivamente, com este relato perturbador e terrível. O policial militar da ativa Rubens – o policial preferiu não revelar seu nome, e não será identificado – relata sua vida.


Rubens abre sua autobiografia com a narrativa crua e apavorante de uma cena dantesca: o massacre impiedoso de pessoas provavelmente inocentes ou que, se culpadas, deveriam ser levadas a julgamento.


“Sangue Azul – morte e corrupção na PM do Rio” trata da guerra civil não declarada que já existe na cidade carioca e que, até agora, abate principalmente pessoas de baixa renda.


Eis, então, o drama: à medida que avançam em sua missão, esses policiais se corrompem, buscando dinheiro, e se dilaceram no abandono da ética e da própria humanidade. Transformam-se basicamente em matadores. Eles matam bandidos como se fossem justiceiros, mas, na dúvida, acabam matando qualquer um. E aí entram no crime. E, então, matam adversários. Matam pessoas inocentes.


O editor da Geração Editorial, Luiz Fernando Emediato, foi apresentado a esse autor pelo jovem roteirista de cinema Leonardo Gudel. Um homem normal. Até o momento em que faz seu depoimento e pede sigilo. Por quê? “Bom, meu depoimento é uma confissão, não é? Se eu for identificado, vou preso e serei condenado”.


Coube a Leonardo Gudel, que vai transformar essa história em filme, ouvir Rubens e transcrever, com rigor e fidelidade, os horrores que ouviu. O policial se dilacera em seu relato seco, cruel, sem censura. Há momentos em que é difícil acreditar.


Trechos do livro


“O barraco que nós estouramos era também um esconderijo de armas de traficantes. Achamos quatro fuzis. Dois G3, um 5.56 e um AK47. Depois que me deixaram no pronto-socorro, a viatura seguiu para a favela vizinha e meus companheiros venderam, para a facção rival, os fuzis que nós encontramos”.


“Sabe o que eu acho? Vou ser sincero com vocês. A população tem mais que se fuder. Ela tem a polícia que merece, num sabe votar. Agora se tu deu pra trás é tu que vai ficar mal comigo e com os seus colegas. A escolha é tua”.


“Se uma dúzia de policiais sem nenhum aparato especial, sem a superestrutura do Estado junto com eles, toma um morro inteiro, porque a PM, com seus milhares de soldados, não consegue acabar com o tráfico?”.

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